Controle de Emergências - Plano Inteligente. Parte I

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RODRIGO THADEU DE ARAÚJO

O planejamento corporativo de resposta a emergências fornece estratégias, táticas e princípios bem concebidos a fim de minimizar as perdas, ao mesmo tempo em que efetivamente supera os desafios apresentados por uma crise. Portanto, é sensato que os executivos da empresa estejam prontos para implementar um plano de emergência e de continuidade de negócios abrangente quando uma crise ameaçar repentinamente a empresa, seu pessoal, seu ambiente e talvez até mesmo seus empregos.

Embora um Plano de Resposta de Emergência, que é exigido por legislação e há modelos pacificados em normas, tenha que funcionar em conjunto com os órgãos de resposta do governo, o Plano corporativo aborda questões que estão além da preocupação e do escopo do governo. Isso inclui objetivos como garantir a continuidade das operações, minimizar perdas fiscais, proteger ativos, antecipar nas possibilidades de dano á imagem, preparar-se para questões jurídicas, antecipar preocupações dos acionistas e implementar medidas para evitar uma recorrência. Alguns gestores concordam que ter um Plano atual é prudente, o desenvolvimento e a manutenção são considerados de baixa prioridade e algumas vezes são adiados. Podem ter uma miopia estratégica de que uma catástrofe ou outra demanda por ação de emergência não ocorrerá em seu site, à medida que se voltam para questões aparentemente mais prementes. Além disso, manter um Plano atual requer um compromisso de tempo e talvez dinheiro. Mas como vimos com o rompimento da barragem de Brumadinho, o naufrágio do Costa Concordia, o incêndio de Buncefield, o incêndio de Alemoa e o vazamento de material radioativo da Central Nuclear de Fukushima Daiichi, as emergências podem acontecer rapidamente, com resultados devastadores.

Consideremos o rompimento da barragem de Brumadinho. Em questão de minutos, a empresa responsável pelo empreendimento se viu diante de uma situação de várias mortes de colaboradores, terceiros e população local, danos ambientais, clamor social de indignação, dano à imagem sem precedentes e total parada de processo industrial local. Seguiram-se dias em fase de salvamento e retirada de cadáveres, não só vidas humanas, mas animais domésticos e vida selvagem também foram ceifadas. Houve também danos às propriedades particulares, impactos econômicos severos e publicidade negativa, seguidos por investigações e processos do governo, prisões preventivas de colaboradores e terceiros. Entendemos que não é necessária uma emergência na escala de um incidente tão importante para causar um impacto severo em um negócio. Exemplos abundam em todos os lugares, seja por força natural ou provocados pelo homem que coloca em perigo pessoas, destroem propriedades, prejudicam comunidades e ameaçam a reputação de uma empresa.

Possuir um Plano bem estudado e construído não é a condição final; deve ser implementado à medida que o incidente se desenrola. A falta de um Plano bem pensado e operacionalizado (pois dizemos sempre do perigo da teoria à sua aplicação prática pode levar a consequências altamente sérias). Várias outras razões lógicas e convincentes se destacam pelo desenvolvimento de um Plano. Um Plano bem construído facilitará a mobilização e a evacuação, reduzindo assim os ferimentos ou fatalidades. Ele garantirá que colaboradores e visitantes sejam contabilizados e confirme que todas as pessoas certas foram notificadas. Como resultado, a possibilidade de reclamações de compensação de trabalhadores (passivos trabalhistas) ou litígios de danos pessoais de empregados, bem como de terceiros, deve ser reduzida ou eliminada.

Lideranças corporativas raramente enfrentam a resposta a uma crise, o Plano leva o líder a agir metodicamente e orquestrar uma resposta personalizada. O Plano permite que o líder se concentre nas prioridades mais urgentes. 

“Os planos para empresas da Fortune 500 geralmente adotam uma abordagem abrangente que inclui orientações corporativas, bem como instruções locais para cada subsidiária. Não é de surpreender que as empresas que têm um Plano relataram períodos de incidentes significativamente menores do que as empresas sem um. Por outro lado, aquelas entidades sem Plano experimentaram crises que duraram cerca de duas vezes e meia mais do que aquelas que investiram na preparação de uma”. Steven Fink, Gestão de Crises: Planejamento para o Inevitável 67 (2002).

Um plano abrangente preparará a liderança para lidar com múltiplas demandas simultâneas. Produtos perigosos liberados no ar, na água e no solo geralmente ocorrem simultaneamente. Necessidade de conter danos físicos, notificar as famílias de colaboradores falecidos e informar órgãos do governo e a mídia, daí se dá a grande importância para o Media Training. Embora fornecer muitos detalhes para qualquer um desses interesses possa ser incriminador durante qualquer litígio subsequente, a reputação da empresa pode ser igualmente prejudicada se for percebida como manipulação ou retenção de informações. Assim, seguir uma metodologia de um Plano adequado pode ser a chave para a percepção do público sobre o incidente, e a reputação de longo prazo da empresa. 

É prudente incorporar outros requisitos legais em um Plano para servir como uma salvaguarda contra a violação involuntária da lei em meio a uma resposta agitada. Por exemplo, de acordo com as regulamentações de um derramamento de certas substâncias perigosas como aquelas elencadas na NR – 20, há notificação compulsória sobre incidentes com forma e prazo determinado ao órgão fiscalizador (hoje no Brasil, o Ministério da Economia).

Importante dizer que empresas que operam em vários países, devem adequar as condições locais aos seus Planos. Se a demanda legal, aplicável àquela emergência, é federal, estadual, municipal de outra nação ou um tratado; em meio ao calor de uma crise, claramente não é o momento de conduzir pesquisas jurídicas.

Várias metodologias podem ser aplicadas à confecção de um bom Plano, porém existem pontos pacificados que vão contra a eficácia de plano. Atalhos como copia e cola de outros planos tendem a não serem dinâmicos no momento da emergência. Criar um Plano somente pela demanda legal, ou seja, plano de gaveta que possui o famoso abismo entre ele e sua operacionalização, pode gerar riscos maiores pela percepção de segurança alterada.

Vários princípios importantes fornecem base para a construção de um plano consistente. Quem tomará decisões deve ser rápido e racional com as melhores informações disponíveis no momento, entender que a determinação supera a decisão perfeita, deve reconhecer que algumas decisões podem ser irreversíveis. 

Embora essa pessoa possa ser o presidente, o diretor executivo ou o diretor de operações, também pode ser qualquer outra pessoa que tenha as habilidades necessárias para gerenciar vários problemas em um ambiente altamente estressante e plural. Qualidades como liderança, conhecimento profundo do negócio, capacidade de avaliar riscos versus benefícios, custo versus benefícios, familiarizado com as capacidades e limitações de seus colaboradores e profundo entendimento da comunidade que está inserido são condições mandatórias para o bom gestor de emergência ou crise.

Não temos o que duvidar da importância de tal assunto nas organizações, em breve trataremos de alguns equívocos na elaboração de Planos e a importância de seu back-up ou Plano B.